A ativista ambiental Greta Thunberg foi detida nesta terça-feira, 23 de dezembro, em Londres, durante uma manifestação em apoio à causa palestina. A informação foi divulgada pelo grupo de campanha Defend Our Juries, organização sediada no Reino Unido que acompanha ações judiciais e protestos ligados a causas políticas. A prisão ocorreu durante um ato público e teve grande repercussão internacional.
Segundo as informações divulgadas, Greta foi enquadrada na Lei Antiterrorismo britânica enquanto participava da manifestação segurando um cartaz com dizeres em apoio a presos ligados ao grupo Palestine Action e com críticas ao que classificou como genocídio. A legislação aplicada é considerada uma das mais rigorosas do país e permite a detenção de pessoas associadas ou que demonstrem apoio a organizações classificadas como terroristas pelo governo.
O cartaz exibido pela ativista fazia referência direta ao Palestine Action, grupo que realiza ações contra empresas e instituições associadas a Israel e que, recentemente, passou a ser enquadrado pelas autoridades britânicas como organização terrorista. Esse enquadramento tornou crime qualquer demonstração pública de apoio ao grupo, incluindo símbolos, mensagens ou declarações em manifestações.
A detenção de Greta ocorreu de forma pacífica, sem registro de confrontos no local. A polícia agiu durante o protesto ao identificar a mensagem exibida pela ativista como violação da legislação vigente. Após a abordagem, ela foi conduzida para procedimentos legais, conforme previsto pela lei britânica. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre possíveis acusações formais ou sobre o tempo de detenção.
Não é a primeira vez que Greta Thunberg enfrenta ações policiais em contextos de protesto. Ao longo deste ano, a ativista já havia sido detida em outras manifestações, tanto ligadas à pauta ambiental quanto a causas políticas e humanitárias. Em outubro, ela foi deportada de Israel após participar de uma iniciativa internacional que tentava chegar à Faixa de Gaza por via marítima com o objetivo de levar ajuda humanitária à população local.
A deportação ocorreu quando Greta integrava embarcações da Global Sumud Flotilla, grupo internacional que busca chamar atenção para a situação humanitária em Gaza. As autoridades israelenses impediram a continuidade da viagem e determinaram a retirada dos participantes estrangeiros, incluindo a ativista sueca.
O episódio em Londres reacende o debate sobre os limites do direito à manifestação no Reino Unido, especialmente após o endurecimento das leis antiterrorismo. Organizações de direitos civis e movimentos ativistas afirmam que a aplicação dessas normas pode restringir a liberdade de expressão, enquanto o governo britânico sustenta que as medidas são necessárias para garantir a segurança nacional.
Greta Thunberg, conhecida mundialmente por sua atuação na luta contra as mudanças climáticas, tem ampliado sua atuação para temas relacionados a direitos humanos e conflitos internacionais. Essa postura tem gerado apoio de setores ativistas, mas também críticas de autoridades e grupos políticos que questionam sua participação em temas sensíveis da política internacional.
A prisão reforça o papel central que a ativista ocupa em debates globais e evidencia como sua presença em protestos continua a atrair atenção pública e institucional. O caso segue sob acompanhamento de organizações civis e deve gerar novos desdobramentos no cenário político e jurídico do Reino Unido.
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